Não podemos falar em Nutrição Funcional sem antes abordar a sua origem, a Medicina Funcional. Falamos numa corrente médica que surgiu nos EUA, quando as doenças designadas por crónicas e mais prolongadas começam a aparecer em massa numa idade mais precoce, e com a medicina convencional a não conseguir dar reposta. A abordagem de Medicina Funcional para a saúde é uma forma diferente de pensar. Em vez de apenas tratar os sintomas ou suprimi-los, olha-se a montante de forma a encontrar a verdadeira causa de problemas de saúde.
É uma abordagem que a cada paciente procuram-se causas ambientais, genéticas, questões relacionadas com o estilo de vida e que possam influenciar o seu estado mais vital de saúde.
Na medicina funcional, utilizam-se alimentos como medicamentos (nutrição funcional sendo este um dos pilares do tratamento), suplementos nutricionais como probióticos, ácidos gordos essenciais, minerais e vitaminas (atuando como catalizadores para restabelecer a saúde do paciente).
É nesta abordagem da medicina funcional que se reconhece a epigenética, a forma como vivemos o nosso dia-a-dia, o nosso estilo de vida e como isso afeta diariamente os nossos genes.
Cada um de nós é um ser único. Cada um de nós é tão original quanto a nossa impressão digital. Ninguém tem a mesma impressão digital, a mesma fisiologia, as mesmas influências, ou a mesma experiência/história de vida. Sabemos que isso é importante. Para cada doença crónica geralmente há um desequilíbrio bioquímico em duas ou três grandes áreas fisiológicas diferentes.
A individualidade tem uma interação com o seu ambiente nutricional e, portanto, a dieta ideal pode tomar muitas formas diferentes dentro desta estrutura básica para atender às diversas necessidades do paciente. Este princípio designa-se por individualidade bioquímica, designado pelo Bioquímico Roger Williams. Os alimentos que supostamente são saudáveis para a maioria das pessoas podem não o ser para si.
O ponto de partida para a alterações nutricionais é a dieta tanto em termos de modificações de padrões alimentares habituais existentes dos pacientes ou como a aplicação de uma terapia alimentar de desintoxicação ou a dieta de normalização da função gastro intestinal 4R.
“Porque nós somos o que comemos”, Hipócrates.
A nutrição funcional vai muito mais além de uma simples contagem de calorias. Considerada por muitos como a Nutrição do Século XXI, é uma abordagem personalizada e preventiva. É cientificamente fundamentada e utiliza como ferramenta os alimentos e os seus nutrientes (derivados de alimentos e de suplementos quando é necessário).
Sendo o nosso organismo constituído por trilhões de células, os nutrientes que ingerimos através dos alimentos influenciam o seu funcionamento desde o momento da nossa concepção.
“A expressão dos nossos genes é modificada pela nossa dieta”, Roger Williams.
E porque alimentação é informação, os milhares de compostos que ingerimos através da alimentação influenciam e modulam a forma como essas nossas células funcionam e se reproduzem, condicionando a estados de saúde ou doença, e que se vai traduzir na expressão dos nossos genes, que se designa por Nutrigenómica.
Deste modo, a alimentação pode ajudar o organismo a funcionar melhor ou pode ser a sua maior fonte de toxicidade ou contaminação. Por isso é imprescindível sensibilizar o paciente a retirar os alimentos nocivos da dieta, bem como a adicionar os necessários para corrigir o desequilíbrio bioquímico, tendo em conta a biodisponibilidade dos nutrientes e sua absorção, assim como a sinergia entre os mesmos, ou seja, nutrientes que precisam de outros para agir no organismo de forma positiva e corretiva.

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